A economia do Piauí em 2019: o que mudou com o governo do presidente Bolsonaro Featured

01 Janeiro 2020 Written by 
Published in Fecomercio

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O primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) começou com boas expectativas de crescimento da economia. Com a agenda econômica intensa, o presidente liberou o saque-imediato do FGTS e os recursos do PIS/PASEP; lançou o saque-aniversário para 2020; assinou a MP da Liberdade Econômica desburocratizando a abertura de empresas; abriu mão da multa de 10% do FGTS que ficava com o governo em caso de demissão sem justa causa; lançou o Programa Verde Amarelo, de incentivo ao primeiro emprego e ainda aprovou a reforma da Previdência, já acelerando também a reforma tributária.

Mas nem tudo são flores. A previsão do mercado, em janeiro de 2019, era que o Produto Interno Bruto (PIB) crescesse 2,53% neste ano. Entretanto, segundo o Banco Central, a alta da economia brasileira será mais tímida, de 1,2% - isso porque a previsão melhorou consideravelmente nos últimos meses.

Construção civil em recuperação

O setor da construção civil foi um dos que não atingiram as expectativas que tinha, apesar de, no Piauí, ter registrado alta na contratação de empregados. No acumulado do ano até novembro, foram 3.632 novos empregos gerados e foi o setor que mais contratou no estado, mas a contenção de verbas impediu melhoras mais significativas.

Foto: Arquivo / Cidadeverde.com

"O ano de 2019 começou com grande expectativa, tínhamos uma mudança presidencial, uma visão de política de grande incentivo no setor, coisa que não aconteceu nos primeiros meses, e ainda houve contingenciamento financeiro. Ou seja, era esperado um crescimento maior, mas a segurada dos recursos foi forte. Por outro lado, observou-se um movimento de equilíbrio das contas públicas", avalia o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Guilherme Fortes.

Ele acrescenta que, no segundo semestre, o governo começou a liberar recursos, especialmente nos grandes centros e a esperança é que, com o aumento da arrecadação nessas grandes cidades, o governo distribua mais recursos para o Nordeste, para que o crescimento aconteça. Por isso, a expectativa para 2020 é bem otimista.

"Aqui em Teresina tivemos redução de estoque em 2019, as empresas não fizeram grandes lançamentos esperando melhor equilíbrio entre oferta e demanda, mas fizemos um levantamento na Caixa Econômica e temos muitos projetos aprovados para 2020. Em resumo, 2019 foi de equilíbrio, reavaliação e expectativa para bons lançamentos em 2020, face ao que vem acontecendo e corroborado pelas pesquisas de mercado que contratamos", frisa Fortes, garantindo que existe uma recuperação numérica já sentida, porém ainda tímida.

Comércio melhorando

O comércio, que foi o segundo setor que mais gerou empregos em 2019 (saldo de 1.082 até novembro), também teve um balanço positivo do ano, apesar dos grandes desafios enfrentados. "O crescimento está lento, mas está acontecendo. Estamos em retomada, recuperando um pouquinho do que perdemos nos últimos cinco anos, especialmente agora, nesse segundo semestre", analisa Leonardo Viana, vice-presidente do Sindicato dos Lojistas.

Foto: Roberta Aline / Cidadeverde.com

Para ele, o volume de vendas em crescimento é resultado da liberação dos saques do FGTS e da redução dos juros. A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, se mantém no menor patamar da história, com 4,5% ao ano e isso tem refletido na redução de outras taxas, como a do cheque especial.

"As pessoas estão conseguindo pagar suas dívidas e, assim, estão melhorando o consumo, estão podendo consumir mais. Vínhamos com crescimento negativo nos anos anteriores e agora teremos um crescimento, apesar de pequeno, mas um crescimento. Esperamos que 2020 seja só de boas notícias", completa o lojista, destacando a reforma tributária como principal medida a ser implementada. "Espero que essa reforma ajude as empresas porque são as empresas que sustentam o país e, se isso acontecer, vai melhorar a geração de emprego e renda".

Leonardo Viana também atribui a melhora do setor à desburocratização e à liberação dos trabalhos aos domingos e feriados. "Tivemos também o trabalho intermitente. Isso tudo fez com que o Brasil entrasse na modernidade das leis trabalhistas, sem perdas de direito", considera.

Outras medidas que o lojista acredita que farão a diferença em 2020 é a isenção do IPTU para moradores do Centro, a revitalização das praças e a implantação de academias populares. "Precisamos que as pessoas do Centro voltem a se socializar, há ainda muito esvaziamento. É preciso que os órgãos públicos e privados voltem aos Centro. Além disso, estamos abrindo agora as lojas aos feriados e isso tem tido um resultado palpável. Estamos tentando colocar isso na cultura das pessoas", finalizou.

Foto: Arquivo / Cidadeverde.com

Dados do IBGE

No campo, segundo o supervisor de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eyder Mendes, a safra agrícola em 2019 é novamente recorde de produção, com crescimento de 4,4%, saltando de 4,2 milhões de toneladas, em 2018, para 4,4 milhões de toneladas, em 2019. "Tal crescimento deve-se à excelente safra de milho, que cresceu 20,7% em 2019, ao contrário dos demais grãos (feijão, arroz e soja) que apresentaram redução na produção", justifica.

Mas, segundo os dados do IBGE, há também resultados amargos. A economia do Piauí, até outubro de 2019, está com resultado negativo na atividade comercial, com -3,8% de volume acumulado, e também na atividade de serviços, com -5,8% de volume acumulado.

No que tange ao aspecto do desemprego (formal e informal), o Piauí apresentou leve aumento, tendo passado de 12,3%, no quarto trimestre de 2018, para 12,7% no terceiro trimestre de 2019, percebendo-se uma tendência de estabilidade nesse indicador."

Já com relação à geração de emprego formal, os dados do Ministério da Economia mostram saldo de 4.903 empregos criados até novembro.  

Foto: Arquivo / Cidadeverde.com

Exportações afetadas

Se de um lado a agricultura bateu novo recorde, de outro as exportações foram afetadas pelo cenário internacional. "O conflito entre os Estados Unidos e a China refletiu nas nossas exportações. Continuamos superavitários, mas caindo. No primeiro semestre, foram 31,8% de decréscimo", informa o gerente de estudos e pesquisas econômicas da Cepro, Fernando Galvão.

Ele destaca que, em aspectos gerais, os números do Piauí foram bons. "Somente as exportações acenderam uma luz amarela, mas esperamos que o acordo que houve entre os dois países possa melhorar esse quadro. A perspectiva, portanto, é de melhora para 2020", pondera o economista.

Galvão destaca alguns números do estado: o consumo de energia cresceu 0,98% no terceiro trimestre do ano, o transporte aéreo cresceu 23,29% no mesmo período, em relação ao número de embarques e desembarques e, em termos de Previdência Social, o pagamento de aposentadorias e benefícios cresceu 6,31%, somando R$ 1,60 bilhão.

"A gente teve medidas significativas do lado da oferta, mas faltam medidas com foco no consumo, e isso passa pela recuperação dos níveis de emprego. Então, o grande desafio de 2020 é reduzir o desemprego", finaliza o especialista.

Fonte: cidadeverde.com

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